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domingo, 27 de dezembro de 2009

Projeto Rio Negro - SP e CBA

Águas e enchentes metropolitanas

O estado de São Paulo talvez ganhe o trem de alta velocidade entre Campinas e Rio de Janeiro. A grande velocidade fica por conta da mídia, pois descer a serra é uma coisa, subir é outra e nos dois casos teremos muitas curvas e barreiras naturais e artificiais. O projeto tem custos bilionários e certamente merecerá muitas análises e discussões.
Curitiba e São Paulo possuem topografia semelhante, a diferença é a de que a capital paranaense está duas centenas de metros a mais sobre o mar.
Cidades com semelhanças e diferenças substanciais, aproximam-se, contudo, na relação de problemas típicos das metrópoles; São é um pesadelo, Curitiba poderá ser.
Em 1963 fomos convidados a trabalhar na Copel. O discurso do diretor que visitou Itajubá incluía a hipótese de um grande aproveitamento hidroelétrico, o “projeto Rio Negro”. Jogar parte das águas das bacias dos rios que nascem na região metropolitana de Curitiba no Atlântico via reservatórios de acumulação e condutos forçados viabilizaria uma usina de quatro mil MW. Foi abandonada em benefício de outros aproveitamentos, até porquê, naquela época, tínhamos necessidade de usinas menores por dificuldades de transmissão e de carga na região, além disso eram águas que incluíam as do Rio Iguaçu, águas internacionais.
São Paulo e Curitiba cresceram. Podem mergulhar em grandes enchentes. O que fazer para reduzir o afogamento de brasileiros, principalmente aqueles que moram em lugares mais baixos? Obviamente podemos transferir compulsoriamente todo mundo que mora em áreas inundáveis, podemos? Lógico que não!
Fazer canais para escoamento das águas? Em que direção?
Pensando um pouco, ainda que arriscando o ódio eterno dos ambientalistas, podemos lembrar o projeto Rio Negro e imaginar, aqui e na cidade de São Paulo, grandes sistemas de captação e bombeamento de águas excedentes, canalização e aproveitamento energético ao pé da serra. Possivelmente a produção de energia elétrica compense parte dos investimentos e com certeza minimizaríamos os efeitos de chuvas cada vez maiores (e prejuízos, doenças, mortes).
A impermeabilização do solo é um fato tenebroso. A especulação imobiliária criou cenários praticamente irreversíveis e que só tendem a se agravar. As manchas urbanas, como os climatologistas de Tóquio já descobriram, podem provocar precipitações violentas em áreas com possibilidade de formação de fluxos quentes e frios úmidos, quanto mais intensos mais chuvas.
O que fazer? Desmanchar parte das cidades?
Bons engenheiros sabem como resolver e a energia hidroelétrica, renovável, é uma dádiva divina. Por quê desperdiçar?
Podemos criar usinas hidroelétricas para aproveitamento de excedentes hídricos eventuais e solução de alagamentos, enchentes, pesadelos que só aumentam com o crescimento das grandes cidades.
Curitiba e São Paulo têm o privilégio de se situarem topograficamente em condições excepcionais, capazes de unir solução de diversos problemas com investimentos inteligentes, talvez mais do que o do trem de alta velocidade alpinista, em marcha no espaço entre Campinas e Rio de Janeiro...

Cascaes
26.12.2009

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